sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

"ESCREVI/VO"

"ESCREVI/VO"

....Escrevo para desaparecer
..........A minha dor
....Escrevo sobre a folha
..........Branca da minha alma
....Escrevo para o mundo real
.......Cada vez mais vazio
.....Escrevo para o espelho
.........Do meu quarto
....Escrevo para atravessar
.............As serras de Portugal
....Escrevo palavra por palavra
..........Do amor que sinto.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

"CORAÇÃO TRANSPARENTE"

"CORAÇÃO TRANSPARENTE"

Uma palavra inventada.
Cheias de bolinhas de sabão
Num barquinho feito de papel.
De rosas, versos de um sorriso tímido.
Ao som das gotas que caiam no chão
Ruídos de um coração colado no outro.
Saudade do que poderia ter sido e não foi
De mãos vazias, crispadas, boca vincada
Abrem as portas adormecidas, voam as cortinas
Baixam as vozes das janelas esquecidas do quarto
Jamais existirias se nunca te tivesse pressentido
Mesmo que faltasse horas, minutos dos dias vividos
Esgotados nas vagas sentidas de nosso desejo
Desci a rua sem obstáculos, sem malas, sem vagas
Palavra do despojamento da simplicidade mais erma
Delírios secretos da tua boca, do teu beijo desejável
Coração transparente de se perder nos versos, nas palavras
Resistirei à tentação da luz, onde nos teus olhos eu perdi-me
Onde vi o sonho, o silêncio, a beleza do canto silencioso do vento.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

"PEDAÇOS DE MIM"

"PEDAÇOS DE MIM"

Pedaços de mim, pedaços da vida
Caídos no mais profundo de mim
Enluto-me de preto aveludado
Num tributo à lua visto-me de noite
Como a lua, tem fazes, oculto a minha dor
Sob a cicatriz repousa em silêncio a ferida
Vestida de vermelho porque me deleito
Com o teu olhar inibido, os teus olhos me despem.
Rabiscos como repousa a dor da árvore cortada.
Traços vincados diante do espelho
O olhar dela sempre se desviava para as rugas
Nunca olhava nos seus olhos tinha medo
De ver a sua pobre alma enrugada
Um dia a sua alma teria menos rugas que seu rosto.
E as rugas do rosto, teriam menos importância
Pedaços da vida caídos no mais profundo de mim
Poço de dor, de memórias, lembranças delicadas
De uma vida repleta de felicidade feita de pedaços
Da vida e talvez pedaços de mim.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca