quarta-feira, 30 de abril de 2014

"TEMPO"

 "TEMPO"

Assusta-me, acreditar nos sonhos.
Onde a realidade é tão dura.
De ver o céu nublado
Sem estrelas, sem o brilho
Sinto dor dos dias vividos.
Do frio das noites.
Da náusea do tempo.
Carrego a saudade na alma.
O peso da renúncia.
Angustia das estrelas.
Nostalgia das incertezas.
Assusta-me as ilusões dos dias.
Da esperança que não tenho.
Onde o destino foge e o deixo fugir.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

domingo, 20 de abril de 2014

OS MEUS FILHOS


Os meus filhos são
As minhas flores...os meus amores
Amor em tê-los, prazer em vê-los crescer
Quero deixar para os meus filhos
As saudades da minhas tatuagens
A recordação das minhas lutas
Somos filhos amados, somos pais.
Somos partes de um passado, de um presente
Somos avós e netos carinhosos
Os meus braços são ninhos de ternura
Onde dormem, sonham e jamais esquecem
Amar os filhos é enfrentar desafios
Combater desigualdades, fazer inúmeros sacrifícios
Superar, superar imensos obstáculos
Amar os filhos é esquecermo-nos por vezes
De nós próprios......para que nada falte a eles.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


quarta-feira, 16 de abril de 2014

"CORRENTES"

 "CORRENTES"

Sonhos presos nas correntes
.........Frias, geladas
Onde mergulho nas águas do pensamento
..............Atingido o fundo de um rio
Rio distante
.........Profundo na alma
Enlaça perdido de um pobre espírito
..........Sonhador, sonhador com atos puros
E talvez singelos
.........Que a vida obriga-nos a ser sérios
Iluminados pelas noites banhadas
..........Pelo brilho da lua
Olhos de um momento
.......Momento desaparecido
No meu pensamento
.........Onde são poeiras ao vento
Velha música, velha melodia, velha sinfonia
Como uma gota de água
.........Num mar sem fim
Poeira no vento, numa tempestade
..........Que desaba sobre a terra
Onde nós recusamos ver
............Talvez eu seja uma princesa
Talvez seja de verdade
,,,,,,,,,,,Sem familiares reais, sem títulos de nobreza.
Sou uma princesa porque alguém um dia me disse
........Perdida no mundo
Sem encontrar o caminho
.........Sonhos presos nas correntes, nas águas do pensamento.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca




sábado, 12 de abril de 2014

"JANELAS DA ALEGRIA"

 "JANELAS DA ALEGRIA"

Sim, sinto, sinto saudades
De abrir as janelas da alma
Imaginar quantas janelas de alegria
Poderia abrir e as possibilidades encantadoras
Mas elas estão travadas, emperradas
Com as dobradiças enferrujadas, como a alma
Saudade, que saudade dos dias em que segurava a caneta
E as palavras flutuavam , como nuvens
Adormecia com versos, poemas, que saiam da minha boca
Tantas vezes sinto-me tão vazia
E por vezes sou abandonada, esquecida
Perdida nas tardes de outono, de inverno
Sem sentido, sem lugar no teu coração
Despida de sentimentos
Eu só queria ser a cama que te abraça
Na rua onde tu andas
A tocar os teus pensamentos com os meus lábios
Como o vento que sopra suave
Sonhar, sonhar com a lua e acordar o sol
Para aquecer os meus pensamentos, a minha alma
Voar nem que seja por alguns segundos
Agarrando-te e sentir-te como um desejo imenso
Incontrolável, para abrir e escancarar a janela dentro de mim, de ti.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca




terça-feira, 8 de abril de 2014

"PÉROLAS"

 "PÉROLAS"

Roubei de noite o orvalho
Disfarcei as lágrimas na minha face
Em pérolas......brancas
Despi-me de noite
Fiquei nua nos teus braços
No meu peito órfão vivo de memória
Da ternura abandonada
Nas palavras gretadas sem resposta
E lentamente, perco-me nas sombras
Onde surgem, as pétalas de doçura
Pingadas feitas de loucuras
Memórias....onde tudo é imortal
Abafo os afagos transpirados de desejo
Onde o vento a chuva sopra o teu nome
E as lágrimas soluçam pelos vidros, do nosso quarto.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


sábado, 5 de abril de 2014

"PALAVRAS POR DIZER"

 "PALAVRAS POR DIZER"

São para ti meu querido
As lágrimas que correm e não consigo conter
Esta dor que me fere a alma
Nas palavras que ficaram por dizer
Nós nunca estaremos distantes
Apesar do beijo que não trocámos
O meu coração sangra de dor
A saudade aumenta ao mesmo passo que a dor
Deste desejo que nos une neste momento
Onde os nossos sonhos foram tornados em realidade
Desejo um abraço, um beijo
E que o silêncio sussurre palavras
Envoltos em êxtase dos nossos corpos
Perdidos na fusão do brilho dos nossos olhos
É que no silêncio da paixão, das minhas lágrimas
Que consigo ouvir-te a murmurar, fazes-me feliz.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 2 de abril de 2014

"VINHO DOS MORTOS "

 "VINHO DOS MORTOS "

O vinho dos mortos
Bebamos o vinho dos mortos
Em homenagem a todos nós os vivos
Com as saudades que ficaram
Nas nossas curtas ou longas lembranças
Memórias nunca esquecidas ou perdidas
Não choreis os que já partiram, os mortos
Os mortos já esquecidos
Na escuridão das suas sepulturas ou jazigos
Onde cresce à solta
As ervas daninhas, relva e silvas
Sobre os corpos adormecidos que agonizam de dor
Que precisam de procurar a paz
A paz para encontrar, caminho
Caminho dos mortos perdidos, esquecidos
Almas sofridas, doridas
Perdidas na funda escuridão
E quando o sol, dos tristes esquecer os vencidos
Reze e medite orações
Calmas, puras e profundas
Para todos aqueles que vivem, mudos e esquecidos
No final bebei o vinho dos mortos
Em memória de todos aqueles que já partiram
Para uma nova jornada os mortos ou os vivos.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca