quinta-feira, 27 de novembro de 2014

SACIADAS ESPERAS

SACIADAS ESPERAS

Desejo que o silêncio sussurre mil palavras
O brilho dos nossos olhos no silêncio da paixão
Perdidos na fusão do desejo que nos une
Desnuda-me a carne ancorada no teu corpo
Porto de abrigo que brota
Em vida nas saciadas esperas
Longas e tristes que rompem a tormenta
Da solidão esquecida
Marca-me a pele com o teu fogo ardente
Queima comigo os teus medos
Os teus desejos ardem conosco
Nos entrelaçados pensamentos
Onde seremos combustão no nosso tempo
Neste meu corpo que te pertence
Nos poemas que escrevo levados pelo vento!

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

AMOR MEU



AMOR MEU

Esperei por ti toda a noite
Vi as horas passar ao longe
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Foram tantas noites em claro
Parindo poemas, palavras devagar
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Senti o calor das velas a queimar
Cansadas de iluminar a esperança
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Onde acabei num sono profundo
Ao sabor do vento feito em ventania
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O amor que por ti sentia, ficou na chuva
Desfeitas em lágrimas como missangas
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

DESÁGUE, A MINHA ALMA

DESÁGUE, A MINHA ALMA

Para onde vai a minha alma
Enquanto eu desço a ladeira
Nas veias ferve o sangue
Perdido nos meus pensamentos
Alguém que desague em mim
E que me faça ver o mar
Rios onde as águas se encontram
Beijam-se, enrolam-se na areia branca
Onde agora só quero e pertenço ao mar
Preciso de colo
Preciso de alguém que me olhe nos olhos
E que os faça brilhar...
Como uma lua cheia de esperança
Quando cortamos as amarras que nos prendem
Sabemos que a vida é um voo livre
Muitas vezes há uma lança que nos trespassa o peito
Depois da ferida curada, sarada
Descobrimos que a dor
Apesar de alucinante não foi nada...
Para onde vai a minha alma
Enquanto eu desço a ladeira
Eu só quero alguém que deságue em mim
E que me faça ver o mar!

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 11 de novembro de 2014

JANELA E ALGUÉM

JANELA E ALGUÉM

Alguém já escreveu que os olhos são a janela da alma.
Eu concordo com esta verdade
Hoje eu acordei decidida a mudar
Passei a noite acordada
Mais uma noite quente de outono maldita insônia
Maldito pesadelo, malditas ideias que me fazem questionar
As coisas que eu alguma vez nunca quis questionar
Deste mundo cada vez mais perverso, desumano e frio
Enfim resolvi reviver, os melhores momentos de nós os dois
Dei-me conta de que já vivemos tantas coisas bonitas
Das coisas que já passámos e por um instante dei-me conta
A sorrir mesmo à gargalhada.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

"CABELOS"


"CABELOS"

Passo por este vale os versos que cantei na mocidade
Divinas mãos, flores de espanto pelos campos
Peito rasgado das lágrimas que vendi, dos desenganos
Graças infinitas deveras impenitente, favos de mel
Pedras no deserto, bravas luzes da troca
Fogo puro, do deserto, pela aldeia despovoada
Penitente doce que tocou com alegria
Peito que sangrava, pendura-se sem esperança
Consome com crueza a vaidade, derramada, resplandecente
Doce quietude de quem ama tanto que inflama
Sinto, suspiro, rego, colho, rezo
Planto os grandes vales, com versos da nossa historia meu amor
Água que guia esta minha alma em lágrimas de dor banhada
Suspiro dos lírios nos meus cabelos
Que cobria-se de quem ama tanto, a quem tanto ama.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca