sexta-feira, 23 de maio de 2014

" NOITE SOMBRIA"

" NOITE SOMBRIA"

Nos dias chuvosos, nas noites escuras
Sinto algo obscuro dentro de mim
Deve ser medo, que não tem medo
Mais uma noite sombria.
Uma tempestade que me espera.
Descem os lobos da serra, dos montes
Oiço uivarem de fome
Sei que sentem o mesmo que eu sinto "medo"
O vento faz tremer as minhas janelas
Os seus uivos de fome, causam-me compaixão
Tenho uma admiração por lobos e muito respeito.
Por saberem conviver em matilha e na solidão.
Os lobos são livres, amam a sua liberdade.
Matam porque têm fome.
E nós somos escravos sem esperança
Que devoramos a terra
Matamos sem fome, por pura vaidade
Somos selvagens, sem dó, nem piedade
Inimigos de nós próprios
Egoístas, sem escrúpulos
Neve lá fora, uivam os lobos
Descem a aldeia cheios de fome
Pelas fragas, ribeiros e rios deste nosso Portugal.
Nós somos covardes.
Como uma matilha de ferozes solitários.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca