quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

"DRAGÃO"

"DRAGÃO"

Dragão fingidor, fugindo por insônias
Pesadelos, sofrimento que mortifica a loucura
Amnésias pinceladas de tantas conveniências
Demônio, inferno benevolente
Que não nos deixa indiferente
Mastiga-nos inteiros, a nu descrevendo-nos
Tártaro corpo, quente sol, salgada sede
Lua intransigente, cega luz
Lágrimas de uma cegueira
Inexplicavelmente permanente
Bastardo, inferno que nos deixa incoerentes
Misturados de gestos, colados, secos na alma
Da chávena, do chá, do reflexo, ao mar
Feitos de desabafos, abafos
De água, de fogo, de sorte, de azar
Companheira feita em compaixão
Dragão, benevolente, demônio da nossa mente
Alma cercada pelo sofrimento
Desfeita em insônias, do pensamento
Cravado no peito, do nosso encantamento
Fingidor de pesadelos
De amnésias, cegueira nossa
Mortifica a carne do nosso sentimento
Fingindo que é dor
Colados nos ossos da nossa loucura
Perdida, esquecida, sem olhos, sem sangue
Sem veias, do nosso desentendimento.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca